Como você se sente com alguém que dirige de olhos fechados?

Os desejos de não viver mais nesse território e as difíceis lembranças de memórias do passado levaram minha mãe a ser internada inúmeras vezes em hospitais psiquiátricos. A cada saída, um diagnóstico a mais para a sua loucura. Desde a adolescência, vivo na busca de encontrar os motivos para justificar como ela se sente. Entretanto, mais recentemente, temos caminhado juntas para um processo de aceitação, ligado a nossa busca por encontrar nossos lugares no mundo.

Fátima é um projeto de longo prazo. O trabalho foi publicado na Vice 2017 Photo Issue e na CNN. Teve sua primeira exposição individual em 2019, no Centro de Fotografia de Montevideo.

Eu e minha mãe estamos trabalhando de maneira mais dinâmica em conteúdos relacionados ao projeto no instagram @sobrefatima.

ENG

How do you feel with someone who drives with their eyes closed?

The desires of not living in this territory anymore and the difficult memories of memories of the past led my mother to be hospitalized numerous times in psychiatric hospitals. At each exit, one more diagnosis for her madness. Since adolescence, I have been trying to find reasons to justify how she feels. More recently, we have been walking together towards an acceptance process, linked to our quest to find our places in the world.

Fátima is a longterm project. This work was published in Vice 2017 Photo Issue and in CNN. Fátima had her first solo exhibition in 2019, in Centro de Fotografia de Montevideo.

My mother and I are working more dynamically on content related to the project on instagram @sobrefatima.
“42 Dias. Fez um ano que estive lá, muitas foram as vezes que tentei falar sobre os dias internada no Hospital Nossa Senhora da Luz, nunca conseguia, hoje chorei muito antes de começar, mas sinto que é muito importante que faça isto. Quando a porta foi fechada e a enfermeira pediu que a acompanhasse, ainda olhei para trás e ali começava os 42 dias mais horríveis da minha vida. Eu estava muito triste naquela manhã, mais aos poucos fui observando todas aquelas mulheres ao meu redor! Quem eram elas? Porque estavam lá? E eu, porque me encontrava tão sozinha, sem meus filhos, minha vida que ficara lá fora!? Estava muito deprimida, muito confusa em relação a mim mesma, fora isto que me levou ao hospital. No meu mais íntimo sabia minha dificuldade para com o resto do mundo! Os dias foram passando e com ele minha vontade de voltar ao mundo real, a de respirar o ar do outro lado daquele muro. Um muro tão alto que eu jamais acreditei existir (...)” Fátima, 2008.



Isabella Lanave

Isabella Lanave, Brazilian, Latin American, Women Photographer, Visual artist, Photojournalist, Curitiba, Brazil.
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