Bom, sinceramente eu não faço ideia do que seja a adolescência. É uma
mistura do “talvez” com o “não sei”. É a fase dos hormônios a flor da
pele, que infelizmente (ou felizmente) mudam - e muito, a convivência
com as outras pessoas.

Talvez essa parte marcante da vida seja o período da contradição:

onde tudo é intenso e o que mais importa é o agora, sendo que ao
mesmo tempo pensamos e arquitetamos o nosso futuro (incluindo toda a
pressão social para que tenhamos uma boa vida profissional e tudo
mais).

Adolescência talvez seja a época em que você nao sabe se considerar
uma criança ou um adulto. E a fase em que queremos estar no auge da
maturidade simplesmente por termos a razão do nosso lado.

Adolescência talvez seja a época em que absolutamente ninguém entende
os adolescentes: os idosos, já não se lembram mais de como era;
os adultos os odeiam pelo fato de ainda nao haver maturidade; as
crianças os odeiam por serem chatos e por fim, nem mesmo os próprios se
gostam, tão pouco se dão bem.


Adolescência talvez seja o conjunto de sentimentos inexplicáveis e
incompreensíveis do sentir, do deixar agir. São experiências que querendo
ou não, farão parte da sua vida.

Bernardo, João. Dez, 2018


Ser homem é assumir a responsabilidade de uma história. Muitas vezes nem nos damos conta do que estamosfazendo - não que isso seja justificável para todas as ações que atuamos - justamente por conta de uma estrutura social na qual é muito debatida hoje em dia: o patriarcado, o empoderamento masculino, o machismo.Considerando todos os fatores que compõem a minha vida, que seriam: homem, cis, aparentemente hetero,branco, classe média mas que vive uma vida de média/alta, olho azul (ate isso é motivo para discussões, acredite ou não) e alto, aposto na possibilidade de que talvez seja importante considerar o meu lugar na sociedade, o lugar que eu ocupo e entender que isso nao é realidade para muitos do meu país. Não concordo em existir um "lugar de fala”, pois para mim, direito de expressão é absoluto, mas, afinal, não é totalmente absurdo essa ideia de "situar-se", tampouco descartável. Acredito que todos temos espaço para debater ideias, assim, as pessoas se expressam e a espécie humana em geral evolui (observação: propriedade intelectual não existe)
-Ser homem é reconhecer seus privilégios (juro que odeio essa palavra pois ao meu ver, não faz muito sentido)morais. Eticamente - falo da jusnaturalistica - somos todos iguais e não há diferenças nisso, todos devemos pos-suir direito a vida, liberdade e propriedade. Mas quando a discussão é "o que é ser homem?”", alguns lembramque não sofremos assédio, não somos estuprados e etc., mas esquecem que a questão não é uma comparaçãoentre os gêneros, sim um entendimento sobre os gêneros. Não é porque as mulheres são muito mais violentadase abusadas em relação aos homens, que temos de descartar os fatos: homens também sofrem assédio e talvezestupro - muitíssimos poucos casos, mas existe. Não digo que, ao dizer isso, devemos dar prioridade para essaspautas, até porque o problema das mulheres é muito maior, mas devíamos incentivar os homens a falar sobretambém. Vamos aos exemplos: 85% dos suicídios sao cometidos pelos homens. O motivo? Desde pequenos eles são ensinados a serem fortes o tempo inteiro, nao falar sobre sentimentos e etc. Quando digo "eles", nao referindo-me ao grupo, é porque eu tive uma criação um tanto quanto diferente. Tenho liberdade para falar tudo que quiser com meus pais (quase tudo pelo menos). Talvez seja um pouco de egoísmo e admito que seja, todavia, eu sou diferente por isso. Sofro um pouco de bullying (não considero, mas digamos que seja a palavra que melhor se encaixa) por agir de maneira "afeminada"? (aspas pois, o que é ser afeminado? Considerando a ideia de que não existem coisas exclusivamente para homens nas quais a mulher nao possa usar?) É, pode se dizer que sim. Mas a ideia disso estar ultrapassado ja me consumiu e hoje não me importo mais. A dúvida que fica: e aqueles que se importam? Fica por isso mesmo? Eu digo que não. Assim como mulheres, não apenas feministas militantes, mas mulheres, se reúnem para falar sobre essas atitudes muitas vezes inconsistente e automática enraizada em nossas mentes, por que homens não podem?

o porquê de pensar e agir em diversas situações

Bernardo, João. Out. 2019

Vai dar tudo certo

Bom, receber uma intimação para comparecer em uma delegacia não soa nada agradável para ninguém, especialmente se você for menor de idade e tiver uma mãe como a minha que é extremamente preocupada e não sabe lidar muito bem com os problemas - ela acaba fugindo deles de formas “não convencionais”. Talvez essa seja a pior sensação possível para um filho, afinal, ver a sua própria mãe lamentar-se por um b.o (literalmente) que não fora intimado à ela ou pior, não fora influenciado por ela é, no mínimo, desagradável.Os dias que se seguiram foram focados apenas nesse assunto: como resolver, quem contatar, quando agir e etc. Admito que não foi fácil, mas conforme o tempo foi passando as coisas foram se acertando. Falar com um advogado aos 16 anos até seria cômico se não fosse trágico: parece aquelas cenas de filme ou série, não achei que isso estava realmente acontecendo até chegar o dia do depoimento. Frases como “fique tranquilo” ou, a pior, “vai dar tudo certo” se tornam presentes em situações como essa. Felizmente eu sou uma pessoa que até tem ansiedade (quem não tem no mundo contemporâneo?, até parece que está na moda) mas que conseguiu reagir bem. Não tem para onde fugir, a verdade e apenas a verdade é sua aliada nessa hora. Ao chegar na delegacia, comecei pela primeira vez na vida a suar nas mãos. Não por nervosismo mas por inquietude. A ruptura da tensão se deu quando o delegado (um homem alto, gente boa e querido), ao chegar na salinha que eu iria depor, perguntou a moça: “Opa, ato infracional de…?” e ela responde “ah.. estupro”, e ele “ah então ta bom”, e saiu normalmente. A palavra “estupro” carrega um peso enorme, mas atualmente, juridicamente falando, juntaram dois crimes em um só e qualquer (enfoque no qualquer, no seu sentido real) assédio hoje pode ser denunciado como tal. Sinceramente? Isso virou várzea. Inicia-se então o depoimento: começamos com a minha versão dos fatos e logo em seguida a mulher que estava presente (não era a delegada, ufa uma pressão a menos) passa a fazer algumas perguntas. Esta me questiona e a outra menina ao lado dela ia digitando. Nada demais, nada extraordinário que exigisse ajuda do meu advogado - que chique falar “meu advogado”. Achei que fosse ser igual o FBI, perguntas complexas que fizessem eu me contradizer e assinar minha própria morte mas não, se houveram duas perguntas que saíram do “sim ou não” foi muito. Foram cerca de 30 minutos que ficamos naquela sala e tudo ocorreu como o esperado. Ao sair, fiquei feliz de tirar esse “peso” das costas. Por mais que não tenha acabado ali, já é um sinal de que as coisas estão se encaminhando para o ponto final dessa história (nunca é um final mas enfim) e só nos resta aguardar a decisão do juiz.

maio, 2021

Isabella Lanave

Isabella Lanave, Brazilian, Latin American, Women Photographer, Visual artist, Photojournalist, Curitiba, Brazil.
Website via Visura

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